fun facts tuesday

Yay, é novamente terça e o dia ideal para entupir a blogoesfera com factos supostamente divertidos sobre a minha pessoa. Aqui vai:

- fiz teatro amador. foi toda uma carreira de actriz que deixei passar-me ao lado. numa das peças tive de cantar o maior êxito da françoise hardy e ainda hoje sei a letra.
- só muito recentemente me consegui ver livre do vício do peanut butter & jelly. foi uma reabilitação difícil mas tenho fé na ressurreição pelo queijo.
- btw, adoro queijo e sofro por quem não tem o mesmo prazer que eu deste derivado do leite. a-d-o-r-o queijo. todos. particular preferência pelo de azeitão, confesso.
- descendo de uma longa linhagem de loiros, quer do lado da mãezinha como do paizinho. acontece que com a idade o cabelo loiro mel com que fui agraciada ficou loiro cinzento ratazana pelo que agora quando vou ao cabeleireiro me dizem que tenho o cabelo castanho. é coisa para gerar em mim fúrias colossais de proporções épicas que originam discussões homéricas sobre isto dos pantones dos fios capilares.
- sou muito neat freak em diversos aspectos da minha vida, o que me leva a aspirar o carro semanalmente, por vezes em horários impróprios. arrumo o guarda-roupa por cores e feitios, tenho organizadores de gavetas milimetricamente alinhados e o meu melhor amigo é o vaporijet.

fun facts tuesday

na segunda edição da rubrica maravilha que agora ilumina todas as terças, ficam a saber:

- sempre achei que ia ser professora de inglês. acabei, nem sei bem como, com uma ilustre licenciatura em comunicação empresarial e um mestrado em publicidade & marketing
- experienciei um esgotamento aos 19 anos. bottom line: achava-me invencível. resultado: lesson learned
- a minha cor preferida é o branco mas desmaio automaticamente perante tons de rosa
- nunca tive uma barbie. nem nenuco. também nunca pedi prendas de natal a quem de direito, o que talvez explique esta ausência do brinquedo icónico na infância.
- quando tinha 15 anos o meu pai ofereceu-me uma guitarra. até hoje ainda não aprendi a tocar.

A wednesday lesson: to backfire



E ninguém me avisou??????????  Perdi isto.

Chibatadas, mil chibatadas psicológicas na minha pessoa.

Não obstante, a Internet maravilhosa arquiva tudo e lá tive acesso a isto.

Cabe-me dizer que a Fanny parece um barril com uma saia.

Lipoaspiração foi boa ideia, os 1000 ml de silicone nem por isso, a coisa fez ricochete e anulou o efeito da primeira, ora atentem: a tipa tem 1,25m (medidos a olho, mais cm menos cm, who gives a fuck?) e destes contam-se 25 cm de torso (sim, é desproporcionada, duh). Ora encaixar aqui vasto mamaçal é coisa para desafiar as leis da física. Maneiras que ali ficam os melões insuflados pendidos sobre a cintura (já era) e a criar aquela ilusão tão elegante de largura corporal = 200 cm.

Não sei como se diz em franciú de Fribourg mas em bom inglês: isto é um backfire (it backfired), senhores.

ídolos | my two cents

eu sei que já tudo foi dito, revisitado e desconstruído internet afora.
mas coiso dos meus dois tostões que também quero falar dos ídolos:

hahaha bárbara guimarães muaahaaahaha.
eu já sabia que ela era acéfala (carrilho? carrilho? please, é como juntar uma hiena desdentada com uma iguana com síndrome de down) mas a constatação e validação via televisão, com a garantia de acervo destes momentos para todó-sempre (é uma outra dimensão espacio-temporal) na net é para mim um tudo ou nada reconfortante.

gostei também do momento em que o pedro abrunhosa despachou uma miúda em três tempos (ele também faz isto fora do programa e dando ao despachar uma conotação obviamente pedófila & sex related, certo? ou fui só eu que ouvi os boatos? O quê ninguém lê o crime?) e o carreira ficou arreliadinho. uma ternura.

o santos precisa de um reportório de ofensas, insultos e achincalhanço bem melhor (ei, estou disponível para consultoria freelance) que a palavra azeiteiro já deu o que tinha a dar. A expressão de enfado do gajo continua a ser ma-ra-vi-lho-sa. embora já me tenham alertado para o facto de ser mesmo aquela a cara dele. sempre.

arranjei ainda um lugar especial no meu coração para o godofredo formoso.
era só isto sim, que o meu preferido já disse tudo.

bitches, please

a edite-estrela-revisora-oficial-de-textos que mora nas profundezas do meu ser está ter pequenas apoplexias cada vez que se depara com a utilização do adjectivo solarengo.

fuck, bitches, pay attention (esta já não é a editezinha querida, é o meu alter-ego jersey shore)

solarengo = relativo a solar
soalheiro = relativo ao sol

é assim tão difícil?

além disso  cumpre-me acrescentar que é absolutamente xoné usar qualquer uma das expressões.



fun facts tuesday

maneiras que em sendo este um blog da minha pessoa, achei que deveria manifestar mais da minha essência.
trocando por miúdos, acho que me devem conhecer melhor, daí, benvindos à fun facts tuesday.
tudo o que ainda não sabem (muito pouco) mas anseiam por beber da minha pessoa, aqui está, em bullets, à razão de cinco coisas por semana para não entupir a blogoesfera, sim?

- não tenho nenhuma tatuagem. e ainda não decidi definitivamente se vou mudar este estatuto.
- o meu segundo nome é luisa. estou numa fase da minha vida em que já não me rala mas durante anos abominei esta escolha da mãezinha. nevertheless, é melhor que cristina (a escolha da mana querida...)
- a minha irmã é 10 anos mais velha do que eu mas insiste em dizer ao mundo que são só 6 anos. dumbass.
- já pintei o cabelo de diversas cores (ah, a estupidez natural da adolescência)
- odeio pés e que me toquem com os ditos. tolero os meus por razões óbvias.

há dois anos

andávamos por aqui.
ficou, para sempre, a vontade de voltar.


weekend | instagram

há fins de semana em que não conseguimos fazer nada e as horas escorregam-nos por entre o que fazemos, quisémos fazer ou não conseguimos concretizar.

este último fim de semana deu para um pouco de tudo, foi extremamente produtivo mas sem me levar ao cansaço por overload, coisa muito habitual em mim.

fyi, sofro de uma condição (provavelmente uma patologia, até) que me impede de executar uma planificação viável e exequível do meu tempo, o que me deixa a gerir mal (e neste momento dou chibatadas psicológicas na minha pessoa) e de forma um bocado desenfreada as inúmeras listas (mentais e físicas - tenho um caderno de bolso com separadores incorporados que me ajuda a criar estas fenomenais listas) de coisas para fazer, coisas que quero fazer e coisas que tenho mesmo de fazer.

eis que depois de uma noite de sexta - dedicada às sumptuosas celebrações de aniversário das cachopas que tão orgulhosamente amadrinhei e que terminou às 2h30 da madrugada, com uma madrinha exausta depois de arrumar cozinha alheia e despachar loiça que dava para servir um banquete ao invés dos 8 comensais contados - demos início ao fim de semana.

posso dizer que foi um rough start. comecei por acordar o N às 10h, que se mudou para a chaise longue da sala a meio da madrugada ou talvez nunca tenha chegado a sair de lá, estava cheia de sono, não percebi bem. Uma hora depois saímos de casa para ir ao encontro de dois elementos fundamentais de qualquer fim de semana que se preze: um óptimo e demorado pequeno almoço (no melhor dos caso optamos por brunch, que é para mim o melhor de dois mundos) e despachar logo pela fresquinha alguns to-do's mais chatos ou com compromisso horário: varia entre a pedicure / manicure, idas ao supermercado, idas à estação de serviço / lavagem automóvel, idas ao ginásio (muiiiiiiiiiiito poucas) ou compromissos profissionais do motherfucker. Este fim de semana, o m'fucker precisava de material informático (vulgo hardware) para acabar alguns trabalhos. Eis que me levantei da cama com a promessa de um pequeno almoço e uma ida rápida ao fornecedor que se transformou numa longaaaaaaaaaa (mesmo loooooongaaaa) ida a vários fornecedores e um pequeno almoço a fugir num café do pingo doce às 13h. numa palavra: deprimente. o que vale é que aproveitámos e comprámos bananas que agora o menino não passa sem as panquecas com banana caramelizada do gordon ramsay.

por entre almoços e jantares, arrumações e limpezas pouco glamourosas, banho de espuma numa manhã chuvosa de domingo, ver o novo filme do joão canijo, actualizar os episódios das vinte e três reality series com kardashians enquanto trato da minha pedicure caseira e umas compras rápidas (not, estive umas três quinze horas na charcutaria), eis o sumário de um excelente fim de semana:


{novo livro, que me chegou pelas mãos da S + botinhas de lã brancas que enfeitam a minha secretária}
{panquecas de domingo. as melhores de sempre.}


{resultado das compras de sábado. espargos maravilhosos + seasoned riccota + prosciutto}



{organização dos dossiers das contas domésticas e pessoais + entrega de irs}

só agora me apercebo que a tarde de domingo foi passada na mesa da cozinha, daí o maldito fundo da toalhinha florida em todas as fotos. devia ter dado ouvidos ao N e não a ter posto na mesa mas não queria colocar os pcs e papéis em cima do tampo, cá coisas minhas. ficámos na mesa da cozinha de castigo porque o chão do quarto estava "de molho" após arraial montado  por um tal de Sr. Tobias.

the worst day | o pior dia

chegámos ao dia mais temido do ano.
mais temido que o natal e restantes celebrações de calendário, mais odiado que o dia do pai, mais deprimente que o final do ano, é mesmo o dia em que me (nos) deixaste.
há quatro anos. vou dizer outra vez, só para ver se a realidade se infiltra na pele, me rasga mais os tendões e começa a circular fluidamente na minha corrente sanguínea: há quatro anos morreste (me).
por esta hora, eu ainda não sabia. há quatro anos a esta hora, estavas prestes a deixar este mundo, a minha (nossa) vida.
pelas doze horas  e cinco minutos deste mesmo dia o teu coração desistiu, demoveu-se da sua vontade de continuar a pulsar, definhou como tu e o teu corpo, aquele frágil invólucro que te continha e que me foi tão dífícil largar. pedi para ver na morgue as marcas da reanimação, só para ter a certeza que eles tinha tentado e que tu é que te tinhas permitido morrer.
isto é tudo um grande contrasenso eu sei mas entende que me foi difícil aceitar que és finito, que não tens uma resiliência inacreditável, que (me) morreste, que me deixaste cedo demais.
quatro anos depois, o que queres que te diga?
ainda é difícil e tu sabes. ainda me consigo ver a entrar na unidade, todos os dias, durante quatro meses. a imagem da esperança, do sofrimento e da saudade, tudo comprimido no peito e solto nas lágrimas que escorriam para cima do rio das flores que insistia em levar comigo para me manter ocupada na sala de espera. permitia-me não olhar para as outras pessoas, cumpriu o objectivo.
quatro anos volvidos, tu sabes, eu achei que nunca iria conseguir sobreviver à ausência, suportar a dor. mas o ser humano é capaz de se adaptar e ao dia de hoje posso dizer-te que incorporei a tua ausência na minha vida e sou agora capaz de lidar com as dolorosas recordações da presença que já tiveste, do que já foste. com relativa serenidade, até.
se há quatro anos me tivessem dito que me iria desfazer, sem remorsos nem apego, de tudo quanto já foi teu, não acreditaria. pensei que seria mais fácil para mim manter tudo como era, fingir que nada tinha acontecido e deixar todos os teus pertences no seu devido lugar. não que os procurasse com frequência. mas era talvez reconfortante saber que lá estavam.
ao dia de hoje nada mais resta teu. fizeste-nos saber (ou não? sou um bocadinho céptica nestas coisas pelo que me fico pela  semi-dúvida) que tinhas de seguir este novo rumo e que esta minha atitude não te estava a ajudar. que não gostavas que fosse para a tua campa chorar. e que não querias mais flores roxas. ou vermelhas. certíssimo. aguenta-te com margaridas brancas e amarelas porque já me bastavam os teus caprichos quando me acompanhavas em vida.
já não choro na campa. mudo as flores e lavo o mármore. componho o arranjo. sigo rapidamente para outro destino para não me dar oportunidade de sentir a tristeza deste acto.
não eras perfeito, tal como eu não sou. tivemos as nossas desavenças (poucas) apenas porque eu sabia que era a única pessoa que te chamava à razão e te devolvia o sentido das coisas. um dos dias que fui mais feliz foi aquela tarde de agosto em que fomos os dois apanhar amoras no campo e as devorámos rapidamente à sombra enquanto me contavas as tuas histórias de miúdo (pirata, era a tua expressão). as horas pareciam não passar e aquela leve brisa de verão imprimia em mim a sensação de que tinha tempo de sobra, para o que quisesse fazer.
ficou esse prazer para a vida, o de apanhar fruta das árvores e sentir a liberdade dos dias de verão, em que somos nós a gerir o tempo e não o contrário. ficou o gosto pelo peixe fresco, acabado de pescar, com sabor e cheiro a maresia (que demorei tanto tempo a saber apreciar). fica o gosto pela doçaria, que sempre fiz mais para te agradar do que propriamente para meu guilty pleasure.
ficou o abraço que me deste nos momentos em que foi preciso. ficou o toque do polegar mais pesado de sempre, no meu rosto pequenino, a limpar as lágrimas teimosas que até então apareciam por motivos tão pouco nobres e tão pouco tristes, por vezes.
ficaram os sucessos que comemorámos juntos e que fazias questão de divulgar, sublinhando o teu orgulho.
fico eu, pai, o teu melhor feito.
ficam as recordações que irei passar de ti aos meus filhos e que espero façam de ti um herói também aos olhos deles.
quatro anos depois, o pior dia da minha vida e da tua volta a acontecer.
mas já não é o mesmo dia.
em quatro anos consegui empurrar a dor para aquele sítio em que só dói novamente até aos limites do insuportável se abrir a caixinha onde a decidimos reservar e que guardamos no local mais fundo e difícil de atingir da memória.
é outro dia, mais um dia em que não estás e continuo a aprender a viver sem ti.

exéquias

pois que devemos prestar as devidas exéquias à bridezilla que vivia em mim.
esta que vos escreve acabou de comprar o vestido para consumar o acto do matrimónio (o que eu adoro esta expressão) assim num flik flak, sem hesitações nem dilemas.

online e por um preço para lá de catita.

ahhh, the perks of being a modern bride...

é claro que o meu sonho de experimentar 456 vestidos de diferentes modelos e feitios até encontrar o que me vai fazer gritar em plena loja Kleinfled's (meca do vestido de noiva de qualquer bridezilla que se preze, em NY)  um majestoso e lacrimoso YES TO THE DRESS acabou de se esfumar.

assim como assim, estou feliz.

e acho que esta é uma das primeiras vezes que o digo, alto e bom som, aqui.





Oh James

* longo suspiro *


a melhor prenda do mundo, a sequela

com efeito, esta será uma das melhores prendas que já dei à minha mãe.
deliro com a preparação destas surpresas, não só para a minha mãe mas para todos aqueles que estimo e que já tive oportunidade de surpreender.
para já, ela sabe que vai a um dos destinos, tivémos de fazer coincidir as férias, por isso parte do efeito surpresa já está perdido.
o que ela não sabe, é que também vai viajar novamente para outra cidade dentro de uns meses.
YAY!
e não sei se me hei de virar para a minha veia dramática e lamentar o meu pai não estar aqui, não poder viajar connosco, não partilhar os momentos, as fotografias e os planos de viagem ou se me deixo ficar aqui por este sentimento de grande cumplicidade que entretanto fortaleci com a minha mãe e que me faz arrepender de ter sentido, há algum muito tempo atrás, que talvez tivesse sido mais fácil para mim se não tivesse sido o meu pai a partir.




If I get married, I want to be very married

a escassos menos de onze meses (posso começar a panicar? posso?) da data que marcámos no calendário para passarmos a ser casados, posso dizer-te, usando as palavras de Audrey Hepburn:

I want to very marry you.

mas por favor, até lá, posso pedir-te que deixes de narrar cada gesto que faço com um prefixo lascivo e simultaneamente jocoso "a minha esposa"?

transforma-se assim um maravilhoso fim de semana num infinito e repetitivo burburinho:

a minha esposa acordou.
a minha esposa está a lavar os dentes.
a minha esposa comeu uma salada.
a minha esposa está a maquilhar-se.

Maneiras que considero a expressão "a minha esposa" muito out, absolutamente reminiscente do Nelo & Idália.
Tal como estas expressões da personagem que espero nunca ouvir do meu futuro marido:

óscares, óscares de gajas atrás de mim e logo me vai sair esta menção honrosa do festival de cinema da porcalhota

e ainda o sublime...

granadas de gajas ofensivas atrás de mim e vai-me sair este... foguete de feira... sem cana.

a melhor prenda do mundo

a minha mãe é fácil de agradar, tem as reacções mais engraçadas quando é surpreendida (chora sempre, às vezes grita um bocadinho, nada que não se tolere) e nunca consegue perceber o que está prestes à acontecer, o que facilita em muito a minha vida de monta-surpresas oficial lá de casa.
Vejamos os factos que comprovam esta minha faceta:

quando a minha mãe fez 59 anos organizei uma festa de aniversário surpresa, com a presença de mais de 25 dos nossos amigos e familiares. consegui convencê-la que iamos jantar só as duas na noite do aniversário dela, uma sexta-feira, a um tasquedo qualquer em azeitão com um choco frito divinal. Pequeno pormenor: o restaurante onde todos nos esperavam era em palmela e fingi-me perdida até que digo, em todo o esplendor da minha veia de actriz, olha viémos aqui parar já agora vamos aqui a este restaurantezinho catita. Pois que fomos e ela não iria desconfiar de nada. Não estivesse o parvo do N com o meu cunhado A a pedir moscatéis no bar da entrada quando chegámos...

mesmo assim quando ela viu que tinha meia sala do restaurante à espera dela, houve gritinhos, houve um "ai o que é que fizeste" houve um "ai o meu coração" seguido de mãozinha trémula no peito e uma expressão de achaque cardíaco meramente fingido - pronto aquela veia dramática que nem sei bem quem herdou de quem mas que anda aqui pelo código genético. foi lindo :)

quando a minha mãe fez 58 anos o meu pai já tinha estado internado 4 meses e não estava connosco há 19 dias. a festa surpresa desta vez foi mais leve, lá em casa, com a minha irmã cunhado e sobrinhos escondidos para a surpreender quando chegou do trabalho. Eu surpreendi-a com um relógio que o meu pai lhe queria oferecer no natal mas não chegou a ter oportunidade de comprar.

todos os natais e aniversários eu e o meu pai congeminávamos planos mais ou menos diabólicos mas super divertidos para supreendermos a minha mãe. desde criarmos autênticas caças à prenda lá em casa - o que aborrecia deveras a minha mãe, sobretudo porque não conseguia controlar a excitação - como perdermos a cabeça com prendas absolutamente extravagantes e que ela não esperava de todo. Ainda me lembro como ela chorou com as pantufas da serra da estrela, que traziam em anexo uma pequena estadia no local...

quando a pequinois que o meu pai ofereceu à minha mãe também nos deixou sozinhas, disse à minha mãe que íamos só ver uns cãezinhos de uma amiga mas quando chegámos ao local comprei o Senhor Tobias e ofereci-lhe, in loco.

nos últimos natais tem-me sido particularmente difícil manter esta tradição, sem o meu pai connosco é muito difícil gerir as épocas especiais e apesar de querer que a minha mãe esteja sempre feliz, sei que também para ela é horrorosamente difícil de suportar a ausência e gerir os sentimentos contraditórios durante épocas festivas.

é nos pequenos momentos do dia-a-dia e com pequenas coisas que tento mostrar-lhe que ainda virão mais momentos felizes, embora o meu pai já não nos acompanhe nestas pequenas loucuras.

no natal passado, para além de algumas coisas que sabia que a minha mãe queria (contas da pandora, livros, perfumes) comprei bilhetes para o cirque du soleil e fiz mil e um embrulhos à volta daquilo para que ela não adivinhasse prontamente o conteúdo. e foi um momento verdadeiramente feliz, eu deitada no chão a rir à gargalhada ao assistir à pequena dança histérica e desenfreada que ela fez quando abriu aquele presente. é que nestes momentos, também eu sou feliz. e acredito que o meu pai também.

perante a aproximação de mais um aniversário, o 61º, sei perfeitamente qual a supresa que vou fazer à minha mãe. só não consigo decidir o destino: roma, veneza, barcelona?

qualquer uma das opções, tenho a certeza, será para a minha mãe a melhor das muitas prendas que se inserem na categoria " a melhor prenda do mundo".

mas no fundo sei que a única coisa que ela deseja eu não lhe posso dar.